“Crise dos alimentos e bio combustíveis”
Nos últimos dias diversos órgãos e entidades mundiais se expressaram sobre a alta dos preços dos alimentos mundo a fora e suas causas. Na grande maioria dos casos opiniões pouco construtivas e não condizente com a realidade.
Semana cheia, alto fluxo de especulação sobre o agro negocio vindo de todo quanto é lado: Governos, ONU, FMI… Todos dando “pitacos”.
O tema em pauta novamente é a relação entre produção de alimentos e bio combustíveis, mais especificamente a concorrência entre ambos.
No geral, muitos falam sem avaliar profundamente a questão, não estão analisando fatos passados, fazendo uma regressão, para compreender a atual situação. No geral, os baixos preços do passado desestimularam a produção agrícola em muitos paises que são em parte a causa da alta no preço dos alimentos, que em vários casos, aliados as políticas devastadoras, como vivemos no Brasil. Política econômica e cambial que desfavorecem o setor produtivo, carga tributaria exorbitante com benefícios irrisórios, falta de política agrícola e investimento e infra-estrutura e outros problemas que já são bem conhecidos.
As autoridades estão tratando os bio combustíveis como o vilão da história, alguns ameaçando ate tentar “eliminá-lo do mapa”. Ledo engano, os bio combustíveis estão dando novo fôlego a produções no campo, o que inclui alimentos, pois mesmo para produção de bio diesel, por exemplo, se obtém subprodutos como o farelo que no caso da soja, girassol, algodão e similares é fonte riquíssima de proteínas para alimentação animal, bovinos, suínos e aves, que são alimentos altamente requisitados.
A questão atual é um problema de oferta e demanda, que se seu pelos baixíssimos preços em um passado recente aliado a problemas climáticos que desestimularam os produtores pelos prejuízos causados, sendo obvio que ninguém vai pagar para trabalhar como muitos produtores vinham e vem fazendo, ou será que alguma dessas autoridades se disporia a “pagar para trabalhar”. Pois essa era a realidade ate um tempo atrás no meio rural, no Brasil principalmente, pagávamos para produzir, e as mesmas autoridades que hoje criticam os bio combustíveis sequer fizeram menção considerável a crise dos produtores. Eu não assisti há anos atrás a ONU, o FMI e os governos mundiais fazendo alertas que com os preços dos commodities abaixo do custo de produção causariam desabastecimento futuro, que os produtores passavam por uma grave crise. E o resultado extremamente previsível se da agora, o efeito elástico, tudo que vai, volta, ação e reação, tudo drasticamente previsível.
O ideal era haver equilíbrio, estabilidade, equidade para que não houvesse picos de alta e baixa tão acentuada que hora prejudica a uns e hora a outros.
Graças aos bio combustíveis o setor teve novo fôlego e ensaia uma reação, voltando a produzir, assim sendo nessa historia, os bio combustíveis são a ferramenta que esta dando equilíbrio no setor, proporcionando futuramente maior produção de alimentos também e não o vilão da historia como muitos dizem. Agora, esperar que os preços dos alimentos retraiam é esperar por um novo efeito elástico.
No Brasil, hoje 16 de março de 2008, o governo decidiu elevar a taxa de juros para conter a inflação, o que deu nova pressão negativa sobre o dólar, com o aumento de capital especulativo entrando no país. São três coisas que só colaboram para diminuir a produção, pois desestimula o setor produtivo.
Dólar baixo diminui a competitividade do setor produtivo nacional, desequilibra a balança comercial, gera problemas de custo no agro negocio, afeta a receita dos produtores com as commodities, conseqüentemente desestimulando o investimento em produção e infra-estrutura, coisas que tanto necessitamos e que regulam realmente a oferta e demanda, estabilizando a inflação.
Com essa medida, de momento contem o consumo, que acaba segurando a inflação, mas também contem que produz, fazendo com que ajam com maior cautela diante de investimentos em produção. Por que produzir se “especular” da mais dinheiro…
Essas medidas são tiros nos pés, pois em médio prazo comprometem ainda mais a relação entre oferta e demanda que é crescente.
Ao invés de estimular a produção para suprir a demanda, fazem política demagógica e populismo.
Há varias medidas para conter a inflação em curto prazo sem afetar o setor produtivo como cortar gastos públicos desnecessários, e convenhamos, o governo gasta muito e gasta mal, combater a corrupção, reduzir a carga tributaria e incentivar investimentos do setor privado em infra-estrutura.
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SOBRE O AUTOR
Guilherme Frederico Lamb: Graduado em Administração de Empresas, agro-empresário do setor de grãos e diretor de Associação de Plantio Direto (APDVP).
Home-page: www.fazendaestiva.cjb.net
E-mail: estivaagro@terra.com.br
Publicado em Guilherme F. Lamb
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