Agricultura de precisão - Investimento e retorno
Durante essa semana estive trabalhando na busca de opções viáveis de equipamentos para agricultura de precisão, mais especificamente em conseguir equipamentos geradores de mapas de produtividade durante a colheita, que tem sido a meu ver hoje, na realidade que o agro-negocio Brasileiro vive, a parte mais complicada do investimento para pratica da agricultura de precisão de forma completa. Como já citei em artigos anteriores, é perfeitamente possível praticar a agricultura de precisão sem a colhedora equipada com sistema de mapas de produtividade e fertilidade, porém, sem esses equipamentos usamos uma “pequena” escala nas analises, pois temos que coletar amostras de solo “manualmente”, e ninguém fará a mostras de solo a 30 metros quadrados. Na melhor das hipóteses teremos amostras as cada 20 mil metros quadrados, ate menos, dependo do empenho do produtor, mas ainda assim a escala é pequena e a margem de erro apesar de muito mais preciso e rentável que no sistema convencional de geo estatística, onde a técnica recomenda analises em lotes de no máximo 10 hectares ou 100.0000m², que ainda é bem inferior que um mapa de produtividade gerado pela colheitadeira.
Eu vinha usando esse sistema, coletando amostras de solo para analises a cada 40 mil metros quadrados com 40 sub amostras dentro desse universo e dentro desse mesmo quadro observando efeitos naturais que demonstram a situação do solo, como porte da cultura menor em algumas partes (manchas), tipos de ervas invasoras que podem muito nos dizer sobre a situação do solo nos locais onde ela nasce, entre outros fatores, usando o “olhometro”, os conhecimentos técnicos e a experiência para localizar manchas dentro desses quadros e fazer analises especificas desses pontos. Mas ainda a sim, a precisão não é a ideal, a escala das analises/amostras ainda é pequena (1/40.000m²).
Como no momento, por diversos fatores, a prioridade aqui não é investir em novas colheitadeiras estava difícil conseguir equipamentos de mapa de produtividade adaptáveis as maquinas que tenho atualmente. Atualmente só as maquinas mais modernas e de maior porte contam com esse item como opcional ou mesmo de serie em alguns modelos. Com a nossa massacrante carga tributaria uma maquina assim, produzida no Brasil, vai sair para o produtor Brasileiro por 339,000 reais, enquanto a mesma maquina é exportada para o Uruguai e lá vendida a 64,000 dólares. Algo em torno hoje de 113,000 reais, uma diferença de 200% mais cara aqui. Isso pesa muito para que o produtor brasileiro consiga investir em tecnologia e renovar a frota.
Então, estava analisando a troca de minhas maquinas por maquinas com essa tecnologia, mas o atual momento vivido, não me da certeza e sinto risco nesse investimento. O ideal seria achar kit’s para adaptar nas maquinas que tenho, e felizmente “fui encontrado” por representante de uma empresa que vende kits para agricultura de precisão em todas as suas etapas (semeadura, pulverização, fertilização e colheita) e adaptáveis a “quaisquer” maquinas. De custo viável, de ótima qualidade e com assistência e treinamento técnico, esses kit’s vão permitir o uso total da agricultura de precisão a mais produtores com investimento racional e viável com ótimos resultados. Bem mais em conta do que trocar de colhedora para se ter os tão “sonhados” mapas de produtividade e fertilidade, um kit custa em torno de 25,000 reais montado com treinamento, sendo negociável o preço e adaptável na maioria das maquinas que temos.
Voltando aos cálculos, um kit de mapa de produtividade custa em torno de 25,000 R$, um fertilizador de taxa variável com sistema de agricultura de precisão que pode monitorar também pulverização e plantio custa 15,000 R$, Com um investimento de 40,000 R$ e se adicionarmos um monitor de semeadura que essa empresa também disponibiliza e controla funções como sementes depositadas por metro, área semeada, diagnostico de adubo entre outras funções, com 49,000 R$ temos todo o conjunto para pratica da agricultura de precisão de forma plena. Em uma propriedade de 240 hectares, por exemplo, em uma safra é possível economizar 40% de fertilizante ou mais dependendo das áreas. Sendo assim, na cultura de milho onde o fertilizante representa de 40 a 50% por cento do custo total por hectare, usando como base um custo variável total de 775 reais/hectare (insumos apenas, sementes, fertilizantes e defensivos), temos 322 reais de custo com fertilizante, com a agricultura de precisão é possível ter esse custo em 200 reais, que resultaria 40% de economia e o uso do sistema de GPS e monitor nas pulverizações gera economia de 17% com defensivos, tendo um custo de 181 reais por hectare no sistema convencional, com a agricultura de precisão se atinge 150 reais.
Somando tudo temos um custo racionalizado de 622 reais por hectare usando a agricultura de precisão, uma diferença de 153 reais por hectare, somente em economia direta, tomando como base a área de 240 hectares, a economia total é de 37,000 reais, isso de custo e em uma safra apenas, lembrando ainda que produtividade aumenta consideravelmente com uso da agricultura de precisão e, portanto já na primeira safra esse investimento do caso se pagaria e geraria lucros.
Ser eficiente hoje é fator determinante de sucesso em qualquer parte do mundo, no Brasil então, onde o setor produtivo é massacrado por políticas e politicagens destrutivas como econômica, tributaria, agrária e outras é mais necessário ter eficiência total da “porteira pra dentro”. Já que o governo considera o agro negocio e o setor produtivo como um todo “um “mal” necessário”.
Para concluir, durante a conversa que tive com o representante dessa empresa, ele me fez uma pergunta:
“Se você pudesse escolher entre as quatro opções que vou te passar, numere de um a quatro na ordem de desejo”:
- “APLICAR MAIS - COLHER MAIS”
- “APLICAR MENOS - COLHER MAIS”
- “APLICAR MAIS - COLHER MENOS”
- “APLICAR MENOS - COLHER MENOS”
Respondi da seguinte forma e comentei:
APLICAR MENOS - COLHER MAIS: (evitar desperdícios desnecessários, somente com uso de agricultura de precisão isso ocorre dessa forma).
APLICAR MAIS - COLHER MAIS: (quando a terra esta equalizada (agricultura de precisão gera essa equalização) e dependendo do teto de produtividade da cultura, ai sim compensa investir em fertilizante para ter retorno, isso de forma calculada, logicamente).
APLICAR MENOS - COLHER MENOS: (estratégia de mercado, quando for necessário por problemas mercadológicos como oferta e demanda, eu já plantei soja sem adubo algum, mesmo minhas áreas sendo corrigidas, para ter custo baixo, pois seria inviável ter alta produtividade, só pra encher armazéns e contribuir ainda mais para a queda dos preços do determinado produto).
APLICAR MAIS - COLHER MENOS: (de acordo com minha experiência, a correção muitas vezes não é instantânea, para construir a fertilidade é necessário algumas vezes fazer isso, investir a médio/longo prazo… O que pode acarretar “em não ter alta produtividade” nesse “ano” em questão. Isso claro levando em consideração conhecimento técnico e administrativo, competência e profissionalismo, sabendo o que faz e por que faz).
Grande abraço ao pessoal da Agritotal, em especial ao José Everaldo que muito contribuem para difundir a agricultura de precisão no país.
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SOBRE O AUTOR
Guilherme Frederico Lamb: Graduado em Administração de Empresas, agro-empresário do setor de grãos e diretor de Associação de Plantio Direto (APDVP).
Home-page: www.fazendaestiva.cjb.net
E-mail: estivaagro@terra.com.br
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