Bagaço da cana vira ração
O aproveitamento do bagaço da cana na ração para o gado está dando bons resultados. A alternativa é interessante para pecuaristas que têm confinamento em áreas próximas às usinas.
As usinas de açúcar e álcool do centro-sul do país devem moer este ano cerca de 415 milhões de toneladas de cana. Depois da moagem sobram montanhas de bagaço. Esse produto, no entanto, não é desperdiçado.
Numa usina no município de Morro Agudo devem ser moídas este ano seis milhões de toneladas de cana-de-açúcar. Desse processo sobram por dia seis mil toneladas de bagaço, que devem ser usadas para aquecer as caldeiras, fazer energia elétrica e produzir comida para o gado.
Com o encarecimento do milho e do farelo de soja, a ração feita à base de derivados de cana está agora se transformando numa alternativa interessante. Uma usina tem uma parceria com os fornecedores que lidam também com gado em confinamento. A ração é vendida para os criadores na época da safra da cana, que vai de maio a dezembro, conforme explica o usineiro Cícero Junqueira. “Nós estamos oferecendo ração no período da entressafra do gado. Nós aproveitamos o máximo de possibilidades e ração disponível com a melhor condição de mercado”.
A fábrica de ração da usina utiliza vários subprodutos da cana. O bagaço entra como volumoso e passa pelo processo de hidrólise – esse tratamento térmico torna o alimento mais digestivo para o animal.
A proteína é fornecida por outro derivado da cana: a levedura. E o melaço entra na ração como fonte de energia.
O criador Roberto Junqueira adotou a ração à base de cana e parou de produzir a silagem. Ele usa 35 toneladas de ração por dia para alimentar os 1.500 animais do confinamento. “Algumas pesquisas que a gente fez, alguns levantamentos que a gente tem indicam que a nossa dieta total, com todos os ingredientes prontos para tratar, posto na fazenda, no cocho, seja de 20% a 30% mais barato do que se eu for produzir a silagem e comprar as matérias-primas”.
O pecuarista Roberto Junqueira diz que o resultado na engorda é muito bom. Com esse tipo de ração, os animais do confinamento ganham, por dia, um 1,3 quilo, na média.
Fonte: Globo Rural
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