Bovinos:Exportação do animal vivo cresce no semestre
A contragosto dos frigoríficos que atuam no Brasil, as exportações de boi vivo cresceram 57% no primeiro semestre deste ano. O mercado, que tinha como principal cliente a comunidade muçulmana do Oriente Médio, também está atendendo a Venezuela, onde as indústrias frigoríficas estão com dificuldades de obterem matéria-prima. “A maior parte desse boi sai do Pará (mais de 90%) e a remuneração é de R$ 1 a R$ 2 a mais por arroba, um prêmio de 2,5% sobre o preço da arroba em Redenção (PR)”, afirma Fabiano Tito Rosa, da Scot Consultoria.
Foram embarcados animais equivalentes a 89,2 mil toneladas, o que representa 194 mil bovinos com peso médio de 16 arrobas - rendimento de carcaça de 52%. O volume é 56% maior que o exportado em igual período de 2007. Mas o avanço mesmo foi verificado na receita, que triplicou no semestre saindo de US$ 52,2 milhões (cerca de 2,5% das exportações de carne bovina in natura) para US$ 154 milhões (em torno de 6% dos embarques de carne in natura). “Os importadores estão muito agressivos oferecendo valores altos para levar o boi”, diz Rosa. Por conta disso, o Pará foi o estado onde o boi mais valorizou-se no País. Nos últimos doze meses, o valor da arroba aumentou 58%, enquanto a média das 28 regiões pesquisadas pela Scot foi de 49%. Daniel Freire, diretor de exportação da Kaiapó - empresa que está entre as maiores em exportação de boi em pé da América Latina - afirma que a venda externa de gado vivo representa em torno de 2% do abate no País, percentual que, para o Pará, fica entre 6% e 10%.
Ele conta que os bois são transportados em navios específicos e que levam de 4 a 8 dias de viagem, quando o destino é a Venezuela. “O boi sai da fazenda com 550 quilos, em média, e chega no porto com 490. No navio a alimentação é especial, à base de silagem e ração, para que, pelo menos, cheguem no destino final com o mesmo peso”, explica Freire.
O transporte de bois vivos para países com grande população muçulmana, como o Líbano, leva até 22 dias, segundo Fawzi Taha, supervisor de abate halal da Federação das Associações Muçulmanas do Brasil (Fambras). Esse tipo de negócio vinha aumentando porque tornou-se mais barato do que a importação de carne resfriada, que também passa pelo abate halal, feito por um degolador muçulmano e com a cabeça do animal voltada para a direção da Meca - a direção do nascer do sol. “Além do abate, a desossa tem que ser feita depois de 24 horas, depois há os custos com industrialização e embalo. No final das contas, sai mais caro abater no Brasil do que levar o boi vivo ao Líbano e abatê-lo lá”, diz Taha, que não soube precisar quanto menor é esse custo. Segundo ele, apesar dessa relação econômica melhor, é difícil a exportação de boi em pé superar a de carne resfriada, pois esta última já chega no país de destino pronta, ou seja, sem o calor do corpo do animal.
Fonte: Gazeta Mercantil
PALAVRA DA BOIBRASIL S/A
** Por ANDRÉ SANTOS
No mercado de carne bovina sempre uma nova notícia causa muito barulho entre os ícones do negócio em nossa terra amada Brasil! Os donos de frigoríficos estão de orelhas em pé pra nova decisão de exportações de animais em pé para países de origem muçulmana.
Os preços pagos por estes animais realmente são mais atrativos para os criadores que tem como objetivo lucro e certeza de negócios bem realizados.
Às vezes e porque não dizer sempre, os donos de frigoríficos se “acham” os donos da pecuária nacional, se exportar animais vivos está em alta , eu sendo um pecuarista certamente iria realizar o caminho que me garantisse mais lucros.
Se os animais estão certificados, em saúde e prontos pra exportar, porque não assim fazer?
O abate em terras brasileiras para consumidores do Líbano por exemplo sai bem caro e certamente os pecuaristas querem ganhar.
Frigorificos e pecuaristas devem ter cuidado pra não atropelarem o desenvolvimento satisfatório da cadeia e atrapalhar contratos com outros potenciais compradores e mercado interno.
O importante é uma gestão bem feita por ambas as partes e garantia de que nossa carn de cada dia não irá faltaem nossa mesa de forma que possamos até mandar animais a outros países. Afinal de contas, não é à toa que somos o maior exportador decarne bovina né? Já pensou agora o maior exportador de animais vivos também?
Esse é o Brasil do Boi!!!
Até.
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SOBRE O AUTOR
André Santos é formado em administração de empresas com habilitação em Comércio Exterior, autor do trabalho cientifico : PECUÁRIA DE CORTE NACIONAL E O DESENVOLVIMENTO DAS EXPORTAÇÕES DE CARNE BOVINA BRASILEIRA. CASE: GRUPO JBS-FRIBOI.Autor do blog BOIBRASIL S/A que discute de forma inteligente a cadeia produtiva da carne bovina brasileira e atua na área de vendas de produtos industrializados de carne bovina há 7 anos no atacado e varejo.
Publicado em André Santos
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