Frota agrícola, tecnologia e modernização
Um dos grandes problemas enfrentados pelos produtores no Brasil é a dificuldade de renovação da frota. Isso se deve a diversos fatores internos, política econômica, trabalhista, cambial, tributaria dentre outras. A carga tributaria elevadíssima sem as devidas contra partidas que obriga o a todos contribuintes a ter que pagar duas vezes pelo mesmo serviço que acaba sendo repassado na composição dos preços ao consumidor.
Como já mencionei em artigos anteriores, uma maquina agrícola fabrica no Brasil pode custar até 200% a mais para o produtor Brasileiro do que quando é exportada e vendida para um produtor de um país vizinho. Esse valor varia de acordo com o tipo de maquina, mas sempre é alto. Aliado a outros fatores que comprometem o setor produtivo no Brasil, como a margem de lucro baixo, problemas graves de infra-estrutura que minam nossa competitividade, política cambial “problemática”, taxas de juros astronômicas, hoje sendo a segunda mais alta do planeta, estado inchando e ineficiente na gestão publica, setor especulativo em alta e setor produtivo sendo tratado como “um mal necessário” por essa classe política que hoje rege o país.
Assim cada dia é mais complicado renovar a frota e investir em tecnologias, que racionalizam custos e geram eficácia e eficiência. A media de idade dos nossos tratores de roda são divergentes, eu já vi estudos mostrando seis anos e outros mostrando doze anos ou mais. Sei que a realidade que vejo é de muito trator trabalhando com mais de vinte anos de idade. Se formos contar o setor de grãos principalmente tem uma frota mais defasada, pois sofreu mais com as intempéries já mencionadas. Em paises como EUA e Alemanha, essas medias são de dois a três anos. Nossa frota de caminhões tem em media dezoito anos, nos EUA três anos. As colheitadeiras de grãos seguem a margem dos tratores de roda tendo ate media mais alta enquanto nos outros paises citados a media é de quatro a cinco anos.
Como os recursos para renovação e investimentos são escassos na maioria dos casos, os produtores têm que operar milagres com que tem em mãos, reformando, “atualizando” e adaptando. Muitos têm operado “milagres” com capacidade e competência na manutenção de suas frotas, sendo essa a alternativa mais viável na falta de capacidade de renovação.
O produtor no Brasil na maioria dos casos é um herói por trabalhar com tantas limitações e adversidades.
Não precisamos de subsídios ou políticas compensatórias, basta os governantes pararem de nos prejudicar com essa carga tributaria sem benefícios, com política cambial e econômica que só beneficia especulação externa e privilegia esses especuladores, com essa infra-estrutura deteriorada e outros aspectos muito conhecido de todos. Em resumo, “não precisa ajudar, apenas parem de atrapalhar”.
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SOBRE O AUTOR
Guilherme Frederico Lamb: Graduado em Administração de Empresas, agro-empresário do setor de grãos e diretor de Associação de Plantio Direto (APDVP).
Home-page: www.fazendaestiva.cjb.net
E-mail: estivaagro@terra.com.br
Publicado em Guilherme F. Lamb
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