Palavra do Veterinário
Inseminação artificial em equinos
Segundo alguns historiadores, a inseminação artificial foi utilizada pela primeira vez no ano de 1332, em eqüinos, pelos árabes. Mas a história registra como marco inicial da inseminação artificial, o ano de 1779, quando o monge italiano de nome Lázaro Spallanzani demonstrou, pela primeira vez, ser possível a fecundação de uma fêmea sem o contato com o macho. Para tanto, ele colheu sêmen de um cachorro através da excitação mecânica e aplicou em uma cadela no cio, a qual veio a parir três filhotes 62 dias mais tarde. Era o nascimento de uma técnica que iria revolucionar o campo da reprodução animal.
A inseminação propriamente dita:
O ciclo estral da égua dura aproximadamente 21 dias dos quais o ciclo propriamente dito dura de 3 a 9 dias com média de 7 dias, sendo que a égua ovula de 24h a 48 horas antes do término do cio. A Inseminação Artificial é o processo de deposição de sêmen do garanhão, no útero da égua, pelo homem, usando aparelhos especiais, o mais próximo possível da ovulação.
Existem diversos protocolos seguidos por médicos veterinários para se chegar ao momento adequado para inseminação, sendo que o controle do desenvolvimento folicular através de palpação retal com uso de ultrassonografia é o mais adequado. Nesse método o profissional, controla o desenvolvimento e o tamanho do folículo ovariano, de onde mais tarde virá a ovulação. Em média, as éguas ovulam com folículos de 40 mm, porém conforme a proximidade do garanhão e a qualidade do sêmen a ser utilizado geralmente se faz a inseminação quando o folículo atinge um tamanho de 35mm.
Nos locais onde o controle não pode ser diário, e na ausência do veterinário, pode-se utilizar-se do método de rufiação, o qual uma pessoa é responsável por levar um macho sexualmente ativo para que este detecte os feromonios e os cheiros da égua quando está no cio. Esta por sua vez mostra-se receptiva ao macho quando está no cio, mostrando sinais como urinar, levantar a cauda, posicionar a garupa em direção ao macho, colocação de orelhas para trás, e movimentos de contração da vulva (piscar).
Quando a égua está sabidamente no cio, chama-se o veterinário por volta do quarto ou quinto dia de cio para que ele confirme o momento adequado e insemine o mais próximo da ovulação.
O sêmen eqüino fresco, recém coletado, (até 2 horas), após inseminado tem duração de 40 a 48horas dentro do trato genital da égua, sendo este o preferido pelos veterinários por apresentar as melhores taxas de concepção. Em segundo lugar o sêmen resfriado o qual pode ser a 5ºC ou a 15ºC (isopor com gelo), este pode ser armazenado para transporte por até 24horas sem que perca seu poder de fertilização. A inseminação artificial (IA) com sêmen eqüino refrigerado tem se difundido entre os haras, pois possibilita utilizar garanhões geneticamente superiores, direcionando melhor os acasalamentos Por último o menos utilizado é o sêmen congelado, que por sua vez para se obter taxas aceitáveis de concepção não é utilizado por mais de 8horas antes da ovulação por se tratar de um sêmen de baixa qualidade. A IA com sêmen congelado ainda tem questões técnicas a serem solucionadas, como a variação individual frente à criopreservação, o baixo rendimento de doses por ejaculado, o intenso manejo das éguas durante as inseminações, maior custo por prenhez, além da grande oscilação das taxas de prenhez em relação às obtidas com Monta Natural (MN) ou IA com sêmen a fresco ou refrigerado.
Dessa forma as Inseminações são feitas de 48 em 48 horas, de 24 em 24 horas e 8 em 8 horas até o momento da ovulação para os sêmens frescos, resfriados e congelados respectivamente.
Vantagens em relação à monta natural
• O armazenamento e o transporte de sêmen, seja pela congelação ou refrigeração, permitem direcionar melhor os acasalamentos por meio da utilização de garanhões geneticamente superiores que, na maioria das vezes, ficam alojados nas centrais de reprodução.
• Melhoramento genético - maior produção e qualidade através do uso de reprodutores comprovadamente superiores.
• Maior aproveitamento de reprodutores de alta qualidade (um único reprodutor pode produzir sêmen para servir até 200 éguas por estação).
• Controle de doenças transmissíveis pela monta.
• Diminuição de distâncias garanhão X égua, pois o sêmen pode ser facilmente transportado.
• Aproveitamento de éguas ou garanhões que não podem fazer cobertura natural.
• Possibilidade de nascimento de crias após a morte do pai.
Limitações
• Falta de mão-de-obra especializada e
• incorreção na utilização da técnica.
Esperamos que cada vez mais essa técnica seja utilizada em nosso país para que possamos desfrutar dos beneficios genéticos trazidos por ela, além da elevação do preço e da melhoria da qualidade de nossos produtos com relação a outros países.
——————————————————————SOBRE O AUTOR
Dr.Daniel Zacharias Zago
CRMV-SP 21.771
Formado em Medicina Veterinária pela Universidade de Santo Amaro, especialista em reprodução e neonatologia de equinos e Veterinario Responsável do Haras Arizona em Cesario Lange-SP
Publicado em Daniel Zacharias Zago
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