Investimentos para a agricultura familiar
Cento e quarenta e dois milhões de reais é o montante a ser investido pelos governos federal e estadual em projetos de estruturação de assentamentos e de fortalecimento da agricultura familiar no Paraná. Desse total, R$ 90 milhões serão aplicados para a qualificação da reforma agrária, levando luz, água, saneamento e moradias para 260 áreas assentadas, beneficiando cerca de 20 mil famílias. Já o restante, R$ 52 milhões, vai ser usado para incrementar a produção agrícola de 31 mil produtores rurais, através do investimento em projetos de beneficiamento de mercadorias e ajuda na aquisição de equipamentos agroindustriais.
- O Brasil passa por um bom momento, a caminho do crescimento sustentável, com geração de emprego, distribuição de renda e a diminuição da desigualdade entre ricos e pobres. A questão é: Como continuar crescendo? Com desigualdade ou igualdade, perguntou Guilherme Cassel, ministro do Desenvolvimento Agrário, em seu discurso na solenidade de assinatura de vários convênios, realizado no dia 24 de janeiro de 2008, no Palácio das Araucárias, em Curitiba.
De acordo com o ministro, na década de 1970 a economia brasileira cresceu gerando desigualdades. No campo, especificamente, a política agrícola (baseada na chamada “Revolução Verde”, de apoio aos latifúndios e à monocultura), incrementou o processo de expulsão dos camponeses, gerando “tristeza, miséria e violência” – inclusive nas grandes cidades.
– O desafio agora é qualificar a reforma agrária e fortalecer a agricultura familiar para termos um campo com máquinas, sim, mas também (e principalmente) com gente. E parece que estamos no caminho certo. Segundo os últimos resultados do IBGE, o número de estabelecimentos rurais cresceu, chegando a 5,2 milhões. Por outro lado, decresceu o tamanho médio das propriedades e aumentou a renda, explicou Cassel.
Para o fortalecimento dessa tendência, é preciso, a seu ver, mudar a compreensão do que seja “reforma agrária”, debate que, no Brasil, muitas vezes, se resume ao aspecto quantitativo, preocupado apenas com o número de famílias assentadas.
– Crescer com igualdade, gerando renda e trabalho, em vistas de uma produção agrícola diversificada, ambientalmente responsável e sem trabalho escravo, é uma escolha política. E para isso, temos que assentar, sim, mas assentar com qualidade para que o agricultor familiar possa produzir, produzir e produzir. É o que a sociedade espera. E é uma obrigação nossa. Não adianta jogar as pessoas na terra e virar as costas, afirmou Cassel, destacando, nesse sentido, a importância dos convênios assinados na respectiva solenidade:
– É um volume muito intenso de recursos, fruto de uma parceria afirmativa entre o governo federal e o estadual, que na prática vai resultar em moradia, estrada, saneamento básico, água e assistência técnica de qualidade. Ou seja, vai propiciar, através da ampliação da produção, condições de vida melhor para os assentados e agricultores familiares.
Educação
Um dos responsáveis pelo sucesso dessa parceria, o atual secretário de Agricultura e Abastecimento do Paraná, Valter Bianchini – que comandou a Secretaria de Agricultura Familiar (SAF) do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) de 2003 a 2007 – comunga do mesmo ponto de vista do ministro sobre o bom momento da economia e da agricultura familiar brasileira. Mas faz, no entanto, um alerta:
– Hoje nós temos um montante importante de recursos, tanto em termos de crédito quanto de investimento direto do governo. Temos, em complemento, um bom momento da agricultura, com bons preços e boas oportunidades. Um entrave, porém, está no baixo nível educacional da população do campo. Hoje, entre os nossos agricultores, há uma parcela considerável com baixa escolaridade, disse o secretário, apontando, como saída, o maior investimento nas múltiplas formas de Educação do Campo:
– É principalmente para a população jovem, que pretende permanecer no rural, que queremos dar toda atenção. Por isso é que estamos investindo em políticas de apoio à educação formal e não formal, reestruturando as escolas agrotécnicas, estabelecendo convênios de extensão universitária, incentivando às Casas Familiares Rurais [CFRs] e reconhecendo experiências como o Cedejor [Centro de Desenvolvimento do Jovem Rural, organização parceira do Instituto Souza Cruz na implementação do PEJR – Programa de Empreendedorismo do Jovem Rural, no território Centro-Sul do Paraná].
No caso específico das CFRs, Bianchini fez questão de lembrar que um dos documentos assinados no dia 24 prevê a ampliação do investimento governamental nas escolas ligadas à Associação Regional das Casas Familiares Rurais do Sul do Brasil (ARCAFAR/Sul). Agora, além do apoio da Secretaria de Educação (na cessão e remuneração de profissionais) e da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (na formação dos monitores e na capacitação dos alunos), as CFRs do Paraná terão mais recursos para reforçar o programa de assistência técnica aos projetos dos jovens.
– Acredito que, com esse sistema, cada propriedade do aluno poderá se tornar uma referência para a extensão rural. E pretendemos, cada vez mais, incentivar esse diálogo com as organizações que utilizam a Pedagogia da Alternância, através de vários outros convênios, ressaltou o secretário.
Para o ministro do Desenvolvimento Agrário, o investimento na formação de jovens rurais é muito importante para o melhor aproveitamento dos recursos destinados ao campo.
– O trabalho em Educação do Campo é fundamental. Porque, além de tudo, ele qualifica o trabalho do jovem rural e abre a possibilidade dele ficar no seu local de origem.
Escrito por Marcos Marques de Oliveira
Fonte: Instituto Souza Cruz
Site: http://www.institutosouzacruz.org.br
Publicado em Central de Estudo
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