O meio ambiente não é estratégico para o brasil
Não precisamos ser muito inteligentes para percebermos que o título é provocativo, embora represente a realidade dado o modo com que o país tem se comportado com este e outros temas relevantes para o desenvolvimento nacional e por conseguinte, das empresas.
Creio que tudo aquilo que é estratégico para as pessoas e as empresas deve ser dada atenção especial. Ou seja, dedicamos mais tempo e dinheiro para aquilo que no nosso juízo de valor seja mais relevante.
Em relação ao meio ambiente, a discussão sequer está em autorizar ou não o desmate de áreas em fronteiras agrícolas ou na recomposição e reintegração de áreas degradas, mas em definir estratégias e prioridades claras e que sejam efetivamente executadas.
Se o assunto fosse prioridade nacional não estaríamos ainda discutindo por exemplo, quem exerce mais pressão de desmate, se é a agricultura, a pecuária ou os madeireiros.
Parece que o nosso governo está embevecido com o crescimento, mesmo a gestão pública estando no piloto automático, ou seja, fazendo pouca coisa para dirigir o barco nessa área.
Na prática, a percepção é de que não existe uma política Nacional de Meio Ambiente clara. Embora exista uma estrutura mínima para gerenciar o meio ambiente, o país cede costumeiramente às pressões internacionais e acaba não primando por uma coordenação capaz de desestruturar essa coação.
De um lado a pressão do mercado demandando incrementos de produção, auxiliado pela pressão inflacionária das expectativas e de outra o mesmo mercado atuando de forma seletiva em torno de investimentos e concessões para aqueles que preservam ou empreendem ambientalmente.
Como o Estado não oferece clareza em relação aos objetivos estratégicos ou se os tem, não consegue coloca-los em prática e tampouco monitora-los, todos os demais agentes adotam medidas particulares servindo aos seus próprios interesses.
Em menor proporção, prática semelhante já ocorreu com o advento da rastreabilidade bovina e bubalina. Na ocasião, também cada um fazia como melhor lhe servia. Vimos o resultado que deu.
Na questão ambiental, essa falta de prioridade do estado em relação ao tema tem permitido que os interesses dos demais agentes se sobreponham aos interesses do país. Desse modo, cada governo estadual estabelece práticas que melhor lhe convenham e que melhor assegurem os seus objetivos.
De modo geral vemos que todos os recursos destinados às áreas produtivas estão atrelados às questões ambientais que por sua vez são atendidas sofregamente e muitas vezes de modo discutível. Ou ainda, quando atendidas não tem efetivo valor oficial, existindo uma desconexão entre órgãos e agências de um mesmo governo.
Como se justifica por exemplo, que um estado pode alardear que vai produzir soja ambientalmente responsável se este mesmo estado tem menos de 10% das áreas regularizadas, a máquina está emperrada e o seu governo não dá sinais de reverter o quadro?
A imagem ruim que o Brasil possui lá fora não é somente culpa das ONG’s ou de grupos interessados em abrandar a concorrência do Brasil. Muito é fruto da nossa inoperância e incapacidade de demonstrar credibilidade.
A apologia ao verde se tornou o bordão preferencial de qualquer agente público ou privado com necessidade de captar recursos em qualquer lugar do planeta.
As próprias agências de fomento à pesquisa têm direcionado idoneamente parcela significativa dos seus recursos para essa área embora financiem baseadas nas suas políticas ou nas políticas do seu estado, muitas vezes desalinhado aos do país. Até porque, como dito anteriormente, se existem, poucos às conhecem de fato.
Uma outra técnica que se tem percebido nesse assunto, dado a defesa reinante, é o excesso de propaganda e pouca prática nas questões ambientais. A maioria das empresas está empenhada em demonstrar na mídia a sua preocupação com o meio ambiente sem faze-la efetivamente.
Por outro lado, se fosse realizada uma auditoria em tudo que se propaga teríamos muitas surpresas. Até uma reconhecida e transnacional empresa estatal, recentemente foi colocada em cheque a propósito de suas atividades ambientais.
Na esteira da demanda por reconhecimento, da falta de seriedade e estratégias concretas, um diferencial mundial poderá ser perdido.
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SOBRE O AUTOR
Eleri Hamer é Mestre em Agronegócios, Professor de Graduação e Pós-Graduação do CESUR, desenvolve Palestras, Educação Executiva e Consultorias em Gestão Empresarial e Agronegócio.
Home-page: www.elerihamer.com.br
E-mail: contato@elerihamer.com.br
Publicado em Eleri Hamer
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