Os “brasis” se encontram em Minas Gerais
Nas escolas, geralmente se ensina que o Brasil, paulatinamente, transformou-se num país urbano e que as populações do campo construíram um movimento migratório incessante para as cidades. Ao mesmo tempo em que questionam a idéia de um país totalmente urbano, diversas organizações se articulam numa experiência, antes reservada aos filhos de famílias abastadas: o intercâmbio.
Doze jovens rurais de estados diferentes foram recebidos pela Associação Mineira das Escolas Famílias Agrícolas (Amefa), no II Intercâmbio da Juventude Rural Brasileira, entre os dias 28/06 e 11/07. Promovido pela Rede de Fortalecimento Institucional do Jovem Rural, esse intercâmbio é um projeto coletivo formado por seis instituições que promovem ações de cooperação. Nesse cenário, Gilmar Souza Oliveira, assessor pedagógico da Amefa, fala sobre a história, a realidade e as expectativas de um rural sustentável, vivo e dinâmico.
Como surge a Amefa?
Gilmar: A primeira experiência de uma escola família agrícola surge, em Minas Gerais, no ano de 1984. No início da década de 90 encontramos cerca de cinco escolas espalhadas pelo estado. Daí surgiram as primeiras demandas pedagógicas, financeiras e a necessidade de uma mínima organização política. Em 1993, no município de Virgem da Lapa, região do Vale do Jequitinhonha, houve a assembléia de criação da Associação Mineira Escolas Famílias Agrícolas (Amefa).
Entre as finalidades da Associação está a necessidade de organizar e acompanhar as EFA, auxiliar a formação dos monitores, e exigir do Estado atenção às população do campo.
Como a Associação trabalha?
Gilmar: Hoje, a Amefa organiza 16 EFA e tem 15 projetos de escolas em implantação. São várias as linhas de ação, entre elas: a formação inicial e continuada para monitores e diretores das escolas, que inclui gestão financeira; acompanhamento pedagógico e administrativo; formação em questões de gênero; mobilização e inserção social da juventude.
Como surgiu a idéia de participar do II Intercâmbio da Juventude Rural Brasileira?
Gilmar: A Amefa está participando do intercâmbio por solicitação dos jovens. A diretoria já havia aprovado em assembléia como ação estratégica o trabalho de mobilização juvenil. Desta forma, essa demanda entra em sintonia e reforçou nosso posicionamento. E, principalmente, vemos esse intercâmbio como uma grande oportunidade para fortalecer as organizações participantes e a identidade do jovem camponês: as suas lutas e as trocas de experiências produtivas e agroecológicas.
Como está sendo esta experiência?
Gilmar: Estamos recebendo 12 jovens de outros estados do Brasil e, ao mesmo tempo, realizando um intercâmbio com 36 jovens das EFA do estado de Minas Gerais. Os jovens do Sul do Brasil e do Espírito Santo estão conhecendo a realidade do Vale do Jequitinhonha e do Norte de Minas Gerais, enquanto os jovens da Bahia e de Pernambuco estão no Sul do estado e na região da Zona da Mata. Da mesma forma, os jovens das escolas do Vale do Jequitinhonha e do Norte do estado estão, agora, no Sul de Minas Gerais e na Zona da Mata, e vice-versa.
Quais são as expectativas com essa mobilização?
Gilmar: Várias, desde formas diferentes de organização, encontro com identidades diferentes, a troca cultural camponesa, experiências de luta e resistência, experiências produtivas, novos mercados e construção de laços de solidariedade.
> Leia a entrevista completa em www.iicaforumdrs.org.br.
> Para saber mais sobre o II Intercâmbio da Juventude Rural Brasileira: www.jovemrural.com.br.
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SOBRE O AUTOR
Rodolfo Lobato é Sociólogo e Assessor de Projetos Sociais do Instituto Souza Cruz.
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Publicado em Rodolfo Lobato
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