zoneamento agrícola
Zoneamento agrícola. Devemos respeitá-lo!
Novamente nos enveredamos por caminhos perigosos ao forçarmos os prazos climáticos e naturais de plantio da segunda safra ou safrinha, como preferirem denominar. A questão do zoneamento agrícola, aos olhos do produtor, tem valor primário para liberação de credito e seguro rural junto às instituições financeiras.
O zoneamento é efetuado de acordo com os micro climas regionais onde são constatadas as datas limites que ofereçam menores risco as culturas a serem cultivadas, gerando assim uma ferramenta para instituições financeiras delimitar prazos para conceder esses créditos, diminuindo os riscos de inadimplência para ambos os lados.
Portanto, delimitar os prazos para credito rural é um fator secundário do zoneamento agrícola, servindo para dar parâmetros as instituições financeiras e seus clientes. O fator primário diz respeito ao grande risco da cultura em questão sofrer problemas climáticos durante seu desenvolvimento ocasionando uma quebra drástica de produtividade e consequentemente incapacidade de cobrir seus custos e quitar dividas.
Mas ao que parece às lições recentes não foram bem assimiladas, após grande endividamento do setor recentemente ocasionado por diversos fatores alem de problemas climáticos.
Os produtores de milho safrinha, nas ultimas semanas vem pressionando os órgãos responsáveis pelo zoneamento para prorrogar os prazos de plantio, a fim de conseguir credito de custeio safra, o que vem demonstrar amadorismo da parte dos mesmos, pois, será que a natureza também ira atender ao pedido e estendera o clima favorável de acordo com o prazo que será prorrogado por esses órgãos? Claro que não, a ganância, recheada de amadorismo enche os olhos de muitos indivíduos, devidos aos preços altos das commodities, o milho no caso, em patamares jamais vistos, fazendo com que muitos, teimosamente, plantem fora das épocas idéias e limitantes para o bom desenvolvimento da cultura e de forma indevida. Por ganância, financiarão, mesmo fora dos prazos climáticos devidos, novamente correndo grande risco de se endividarem, pois os órgãos responsáveis podem estender prazos, papeis aceitam tudo que se escreve, mas o clima não vai ler esses documentos e se adequar aos novos prazos concedidos por esses órgãos, que não vão dar o devido suporte quando houver quebra de safra novamente. Os produtores estão se enganando com essa solicitação, pois a segunda safra plantada cedo, é de risco, semeado fora do prazo é roleta russa.
“O período de plantio recomendado pelo Zoneamento Agrícola de acordo com a Portaria Nº. 254 do Mapa difere de um município para outro e considera variáveis como, Tipos de solos aptos ao cultivo, ciclo das cultivares (super precoce, precoce, semi precoce, médio e tardio)”, assim vejo com temor essa solicitação de prorrogação de data limite para semeadura de safrinha, pois o clima não vai entender isso, não respeita decretos. Financiar produção com todos esses riscos é amadorismo, ganância e ou loucura, como produtor, já passei por situações difíceis na safrinha, por melhor que o preço do milho, no caso em questão esteja se não tiver produtividade, de nada adiantara ao bolso do produtor. Vão contrair dividas difíceis de serem pagas e renegociadas, como já vimos e estamos vendo e encheremos “silos” contribuindo para elevar estoques e desestabilizar os preços novamente, o que só prejudica o produtor de grãos.
Foi divulgado que alguns estados como MS e PR já estão dando andamento nessas prorrogações, alegando que em função de problemas climáticos que atrasaram a primeira safra, se faz necessário estender o prazo da segunda safra para permitir o plantio da mesma. Isso em minha opinião é um absurdo, se o clima já foi irregular no verão, onde os riscos são bem menores, o que dirá no inverno, segunda safra, onde são quase uma certeza problemas graves de estiagem aliados aos riscos de geada.
Vamos plantar para elevar os estoques mundiais, reduzir preços das commodities e corrermos sérios riscos de colhermos prejuízos e nos endividarmos, isso é uma inconseqüência diante de tantos problemas. O clima não vai respeitar as prorrogações postas no papel pelo homem.
Vamos plantar milho ate onde o clima nos permite com menor risco de quebra de safra e buscar culturas alternativas para as áreas onde não for possível respeitar as dadas do zoneamento climático real. A rotação de cultura na segunda safra como manejo gera ótimos resultados na safra de verão, compensando a safrinha se bem feita e dependo da alternativa para a safrinha, essa pode ter ótimo valor comercial e com baixo risco de prejuízos.
A safrinha plantada dentro das condições favoráveis já é arriscada, fora delas é roleta russa!
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SOBRE O AUTOR
Guilherme Frederico Lamb: Graduado em Administração de Empresas, agro-empresário do setor de grãos e diretor de Associação de Plantio Direto (APDVP).
Home-page: www.fazendaestiva.cjb.net
E-mail: estivaagro@terra.com.br
Publicado em Guilherme F. Lamb
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